Os escritores falam às Senhoras: Ana Cássia Rebelo


Queridas Senhoras,

muitas vezes, aqui no blogue, quis falar da Ana Cássia Rebelo. Reparo agora que nunca escrevi, nunca encontrei palavras. Uma vez, vi-a na Feira do Livro e fiquei contente, como se tivesse encontrado uma amiga. Nunca escrevi sobre os seus textos pelo pudor de dizer banalidades acerca de uma escrita que nos penetra profundamente. Estão a ver? Já comecei.

O livro Ana de Amsterdam (2015, Quetzal) nasceu do blogue homónimo, alimentado pela autora desde 2006. A crítica prostrou-se perante esta escrita, que mais podia fazer? Não creiam em mim, creiam no Hugo Pinto Santos, no Eduardo Pitta, no Deus Me Livro, eu sei lá.

No prefácio de João Pedro George, que se ocupou da selecção dos textos para o livro, podemos ler:

“Descobri os textos da Ana Cássia Rebelo há meia dúzia de anos, na Internet, e achei-lhes logo um sabor diferente, pressenti que neles palpitava uma grande escritora, uma radiação nova na literatura portuguesa. De então para cá, passei a lê-la com uma reverência que reservo aos poucos escritores portugueses contemporâneos que se dedicam a essa coisa antiga que é escrever em bom português e que, ao mesmo tempo, gozam do privilégio de serem legíveis.”
p. 11

Senhoras e senhores, leiam aqui o prefácio completo, leiam o livro e fiquem com as respostas da inclassificável Ana Cássia Rebelo (retenham ainda, se quiserem, os dados biográficos que se encontram disponíveis: jurista, nascida em Moçambique em 1972, mãe de três filhos):


1. Um livro seu que recomendaria a quem queira iniciar-se na sua obra

O romance que escrevi há três anos e que ainda não consegui publicar.

2. Três livros / autores fundamentais na sua existência

Em idades diferentes, livros que me marcaram por razões diferentes: aos dez anos, Rosa, minha irmã Rosa, da Alice Vieira; aos vinte, O Monte dos Vendavais, da Emilly Bronte; aos trinta, A Letra Escarlate, do Nathaniel Hawthorne.

3. Três livros que todas as crianças/jovens deveriam ler

As crianças devem ler o que lhes dá prazer: Capitão Cuecas, Geronimo Stilton, O Diário de um Banana. Não vale a pena impor-lhes o cânone para os afastar de vez da literatura.

4. Um livro sobrestimado, que não merece a fama que tem

Há tantos livros medíocres, com boas críticas, com visibilidade, com muitos leitores, que não valem um caracol. Não sou capaz de escolher um.

5. Uma sugestão cultural (filme, peça de teatro, concerto, exposição...)

As asas do desejo do Wim Wenders.

6. Um programa e/ ou série de TV

Não vejo televisão, não por fundamentalismo, mas porque os meus filhos monopolizam a televisão lá de casa. Nos últimos tempos, porém, tenho sentido vontade de rever The Fawltty Towers, com o extraordinário John Cleese.

7. Uma livraria e/ ou biblioteca da sua preferência

A Feira da Ladra é uma das melhores livrarias de Lisboa: por poucos euros compro sempre livros que me interessam.

8. Uma sugestão de leitura para as Senhoras da Nossa Idade (i.e. dos 35 em diante)

Para as senhoras da nossa idade e para as senhoras de qualquer idade: O Segundo Sexo, da Simone de Beauvoir.


Beijinhos a todas,

Céu

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