Que força é essa



Queridas Senhoras,

não me ocorre melhor forma de celebrar o 25 de Abril do que num concerto do Sérgio Godinho na Amadora. Ontem, nos Recreios, o espectador mais novo tinha 3 anos (o meu sobrinho) e a mais velha já devia ter passado os 90. A família estava toda reunida. Julgo que é a isto que se chama transversal.

O desinteresse e a alienação podem estar instalados mas não está tudo perdido. O brilhozinho dos olhos não vem só do novo iPhone ou da vitória do clube do coração. A canção de intervenção ainda causa arrepios. A mim, causa. Se a música de protesto está ultrapassada, então eu também estou.

Paz. Pão. Habitação. Saúde. Educação.

A paz está sob ameaça; o pão está caro e tem sal a mais; há casas vazias e muitos a viver na rua; a saúde é para quem a pode pagar; e a educação, bem, os licenciados e mestres a trabalhar em call centers são o novo paradigma. Mas já têm um sindicato.

O primeiro dia do resto da minha vida já lá vai mas os meus filhos têm a deles inteirinha pela frente. Garantias não têm nenhumas. Mas vão a manifestações desde pequeninos e sabem a história do 25 de Abril de trás para a frente. Os pais das crianças de hoje já nasceram depois do 25 de Abril, a história já é contada em terceira mão. Convém continuar a contá-la. E a cantar.

Quando se juntam todos, netos, pais e avós, isso tem um significado. Cantam a uma só voz:

A Liberdade está a passar por aqui.

Beijinhos a todas!

Céu

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