Os leitores falam às Senhoras: Teresa Fernandes Swiatkiewicz (professora e tradutora)


Queridas Senhoras,

hoje falamos com uma das principais tradutoras da literatura polaca para a língua portuguesa. Doutorada em Estudos de Tradução pela Faculdade de Letras, com uma tese intitulada «Normas, estratégias e técnicas na tradução literária direta do polaco para o português europeu (1990-2010)», Teresa Fernandes Swiatkiewicz nasceu numa família de professores e "nunca quis ser outra coisa". Descobriu a paixão da tradução aos 46 anos quando traduziu do polaco para português Madame de Antoni Libera. Entre os seus trabalhos mais recentes, conta-se a primeira tradução portuguesa a partir do original polaco de Solaris, de Stanislaw Lem (ed. Antígona, 2018).


1. O que está a ler neste momento?

Um bárbaro no jardim de Zbigniew Herbert, ensaios sobre arte e cultura (francesa e italiana).
Para além disso, tenho alguns livros de estudo no Ipad que leio em viagem, por ex. Cultural conceptualisations and language, Cognitive linguistics, etc.

2. O que leu antes e o que vai ler a seguir?

Antes, Cão como nós de Manuel Alegre. A seguir, Conduz o teu arado por sobre os ossos dos mortos de Olga Tokarczuk (em polaco).

3. Conte-nos uma memória de infância relacionada com livros.

Andava eu na escola preparatória, quando pela primeira vez entrei numa livraria. Foi a minha tia, Mariana Aguilar, quem me levou à Bertrand do Chiado, convidando-me a dar uma volta sozinha pela livraria e a escolher os livros que eu quisesse. Havia muitos livros para adolescentes que me interessaram, mas escolhi só um. A tia surpreendida incentivou-me a comprar mais e eu escolhi mais um. A tia voltou a insistir para que escolhesse mais livros, mas eu era tímida e quedei-me por aqueles dois, sem nunca me ter esquecido do seu gesto.
Anos mais tarde, a tia e eu estávamos na Feira do Livro de Moura, quando eu decidi fazer o mesmo convite à minha filha que, então frequentava o 2.º ciclo. Depois de dar uma volta pela feira, ela veio ter comigo com o cestinho vazio. Surpreendida, perguntei-lhe se não tinha gostado de nada, ao que ela me questionou: «Se me comprares os livros, vou ter de os ler?»

4. Que livros marcaram a sua adolescência?

Tudo começou com uma prenda que recebi aos 14 anos, Quo Vadis? de Henryk Sienkiewicz. Descobri um escritor polaco e, por afinidade linguística e cultural, os escritores russos, Tolstoi, Dostoievski, Bulgakov, Pasternak, Tchekov, etc. Sou do tempo do Círculo de Leitores e li grande parte da literatura russa que a editora traduziu e publicou durante a minha adolescência.

5. Um local público onde goste de ler

Leio em todo o lado. Quando as minhas filhas eram pequenas, lia enquanto esperava por elas na catequese, na piscina, no tatami, na fisioterapia e na rua até chegar a carrinha do colégio, quase sempre atrasada. Hoje, leio em viagem (autocarros e comboios).

6. O seu recanto preferido de leitura (em casa)

Leio em qualquer lado, mas não leio na cama (nem na casa de banho).

7. Uma biblioteca importante para si

A Biblioteca Pública da rua Koszykowa, em Varsóvia que frequentei assiduamente durante quatro anos, enquanto estudante de Filologia Polaca.

8. As livrarias que costuma visitar

As Fnac, em particular, a do Colombo.

9. Uma editora de que goste particularmente

Cavalo de Ferro, porque é a editora que mais investe na tradução e divulgação de autores polacos (e de autores de línguas chamadas periféricas).

10. Que livros gostaria de reler?

Estou sempre a ler e reler os poemas de Wisława Szymborska. [Prémio Nobel da Literatura em 1996]

11. Que livros está a guardar para ler na velhice?

Nunca pensei nisso. Talvez os da minha biblioteca.

12. Acessórios de leitura que não dispensa

Óculos, lápis e marcador.

13. E se um livro não prende, põe-se de lado ou insiste-se?

Insiste-se. Foi assim que descobri um dos livros mais fascinantes que já li, A hora do lobo de Jiang Rong.

14. Costuma ler sobre livros? Quais são as suas fontes?

Sim, jornais e sites em rede.

15. Uma citação inesquecível que queira dedicar às Senhoras da Nossa

«De nós próprios só sabemos / o que nos foi posto à prova» (Wisława Szymborska).





Tenho aprendido tanto com estas conversas! Um dia, terei de reler e tomar nota de todas as sugestões de leitura. E compilar as citações.

Beijinhos a todas,

Céu


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