Há muitas razões para ir ao teatro




Queridas Senhoras,

fui ver a peça Há muitas razões para uma pessoa querer ser bonita, em cena no Teatro Aberto. O texto é de Neil LaBute, a encenação é de João Lourenço e a interpretação de quatro jovens actores, dois casais, quatro caras bonitas da TV. Se para uns isto pode ser o chamariz que os faz sair de casa para ir ao teatro, para outros acciona o preconceito e, logo, terá o efeito inverso.

Eu gostei da peça e, se lhe encontro defeitos, estes estão no texto que achei um pouco repetitivo e superficial. Mas gostei dos actores, da encenação, do ritmo e do ambiente pop. Nem todas as peças têm de ser de “partir a cabeça”. Uma peça que vimos uma vez (eu, a minha mãe e a minha irmã, nas nossas famosas e arriscadas aventuras culturais), na Casa Conveniente, ficou como paradigma do teatro “difícil”: ficámos sentadas no chão, que era duro, de pedra fria, numa posição muito desconfortável; a peça era sobre mulheres em sofrimento, qualquer coisa do género, e as actrizes gritavam e agrediam as próprias barrigas, enfiadas nuns buracos na parede.

Nada contra.

O que eu mais gosto, quando consulto a agenda cultural, é que haja a maior diversidade possível de espectáculos para ver. Teatro independente e comercial, revista, musicais, muito teatro infantil, peças em grandes teatros e em palcos obscuros, actores consagrados e perfeitos desconhecidos. Gosto de ver actores da TV no teatro e vice-versa, actores cómicos em registo trágico, gente que salta do pequeno ecrã para o grande, etc. etc.

Alias, muitas vezes é desses contrastes inesperados que resultam as melhores cenas. Estou a torcer para que o Luís Miguel Cintra apareça num dos próximos episódios do Odisseia.


Beijinhos e boa semana para todas,

Céu

Comentários

  1. Em Cascais íamos sempre ao teatro. Tínhamos colegas de liceu que trabalhavam no teatro, depois o meu namorado trabalhou no teatro, depois eu trabalhei no teatro. Era sempre o mesmo teatro, o TEC, mas era muito bom.

    Depois descobri outros teatros, claro. E depois descobri que gosto de ir sozinha ao teatro - quando a família rumava à margem Sul para visitas de domingo, não raro eu me meti em autocarros para chegar a Almada a tempo da matiné.

    Tenho muitas saudades de ir ao teatro. É um dos meus pequenos prazeres que a maternidade veio colocar em modo de espera. Mas lá voltarei.

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